As mulheres dirigentes sindicais e de movimentos sociais da UGT, reunidas em Foz do Iguaçu (PR), dias 5, 6 e 7 de março, no seminário Março Mulher 2017 – 10 anos da UGT, são contra as reformas da Previdência e trabalhista, propostas pelo governo Temer, e querem que o Congresso brasileiro ratifique a Convenção 156 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
Esses indicativos fazem parte de um conjunto de propostas deliberadas pelas mais de 300 mulheres e homens presentes ao encontro. Durante os três dias do seminário Março Mulher 2017, foram debatidos temas pertinentes ao universo feminino, como a violência contra as mulheres, empregabilidade, empoderamento feminino e a conjuntura política e econômica brasileira.
O painel: Enfrentamento a todas as formas de violência de gênero no Brasil e na fronteira – a violência de gênero e o gênero da violência no Brasil, abriu a série de três módulos do seminário. A violência contra as mulheres, incluindo crianças e adolescentes, na tríplice fronteira, foi tema apresentado pela diretora da ONG Elas por Elas, Cláudia Patrícia de Luna. Para a ativista, “enquanto os governos desses países não se unirem em ações práticas contra o abuso sexual e a violência na região fronteiriça do Brasil, Uruguai e Argentina, veremos crianças e adolescentes serem explorados sexualmente”.
A norte-americana Jana Silvermann, da ONG Solidarity Center e a diretora da CSA (Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas) Isamar Escalona, falaram sobre a mulher no mundo do trabalho, igualdade e violência, no painel Igualdade de Gênero-caminhos para avançar. “É emergencial o governo brasileiro ratificar a Convenção 156 da OIT, como forma de garantir às mulheres direitos iguais no ambiente de trabalho, acabando com as desigualdades salariais e de tratamento”, destacou Jana Silvermann. Nesse mesmo módulo, para falar sobre a Jornada 2030 e os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), foi convidado o secretário Nacional da Juventude e coordenador do Programa UGT Jornada 2030, Gustavo Pádua. O secretário da UGT destacou em sua palestra o objetivo 5 dos ODS, que fala justamente sobre alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
Ao abordar o tema sobre a reforma da Previdência, proposta pelo governo Temer, a economista, assessora do IAE (Instituto de Altos Estudos da UGT), Helen Silvestre Fernandes foi categórica: é uma farsa essa propaganda que o governo está fazendo sobre a necessidade emergencial de uma reforma na Previdência. Para a economista, que integrou um grupo de estudos sobre a real situação orçamentária da Previdência, “o governo está empurrando mais uma vez para os trabalhadores os ônus de sua incompetência. A Previdência é superavitária, ou seja, é mentira de que há um rombo nas contas e que se paga mais do que se arrecada”. Segundo a economista, é preciso que seja feita uma ampla campanha para esclarecer a população sobre essa farsa montada para beneficiar empresários e massacrando os trabalhadores.
Ao finalizar o seminário, a secretária Nacional da Mulher da UGT, Santa Regina Pessoti Zagretti, apresentou as propostas e deliberações do encontro. “Temos propostas claras e objetivas quanto ao universo feminino, muitas dessas propostas dependem de um engajamento político e social e outras apenas da vontade política de nossos governantes. Estamos fazendo a nossa parte, esperamos que o Congresso Nacional, o presidente da República, governadores e prefeitos façam a parte deles”, destacou Santa Regina.
Fonte: UGT Nacional